sábado, 18 de dezembro de 2010

Berço da Decadência

Se questionado, diria que permanecia acordado, ainda que não o estivesse de facto, não cedia à pesada e dolorosa sonolência, ao semi-estupor... Esperava algo, mesmo não sabendo o quê, de verdade.
O som hoje não existe, além da melopeia criada pelos aviões, metropolitano, automóveis, roedores ou homens do lixo, a qual se equipara a naves galgando os poluídos céus, seguidas dos seus consequentes contentores. Por hora desperta a vácua cidade, tal qual uma colmeia, ou um formigueiro, as hostes saem dos seus exíguos cubículos, onde já nem insanidade existe, restam as rotinas e as quimeras a concretizar - porventura contas para e por pagar.

4 comentários:

  1. Ode sintética! Continua! = )

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  2. Vou pegar num lugar comum, vomitar palavras para encher, escrever como sempre foi escrito e achar que isso é... Vou repetir o mesmo padrão até à exaustão, até ser mandado ao chão, esvair-me em sangue, ter a cabeça esmagada, e depois disso tudo ainda vou sentir. Só aí vou morrer por fora tanto como já estou morto por dentro.

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  3. Fatalmente tendo a concordar, ilustre Júlia! Ao criar algo existe o risco de cair reminiscências de algo que foi ou poderia ter sido! Na verdade, a arte moderna será isso mesmo "vomitar" algo, nem que seja uma adorável verborreia mental, ainda que nem todos sejam capazes da Êmese! ;)

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  4. Hoje em dia atingimos a vacuidade tal que se torna estranho declamarmos algo, improvisarmos sobre a sudorese ou do amor de uma mãe pelo seu filho, hoje em dia somos belos em silêncio, mudos, calados, quando o contrário acontece somos acusados de vómito, tristes os indivíduos incapazes de vomitar!

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