domingo, 19 de dezembro de 2010

o Ecrã de Narciso

Hoje em dia todos nós possuímos um ecrã, esta simplificação surge na linha da eliminação das incógnitas do Binómio de Newton, o qual passa a existir somente enquanto designação, não se resolve, não se reflecte sobre o mesmo… existe (porventura existiu)! Passou-se, também, a resolver apenas parte do teorema de Pitágoras! A saga da intoxicação da imagem adquire tais dimensões que se passa a negar a beleza do astrolábio, construindo uma adorável figura geométrica, de modo a não molestar o nosso doente e frágil cérebro. O ecrã não será mais do que uma ode ao pós-minimalismo.

No futuro não nos contemplaremos no reflexo da água dos rios, nos olhos da pessoa que amamos, sequer num espelho quebrado, usaremos o ecrã.

Amanhã não existirão resquícios mnésicos, todos os sonhos, todas as pretensões, até mesmo os desejos mais sórdidos poderão ser visualizados em HD ou formato semelhante, num qualquer ecrã, não existirá subjectividade, existirão miríades de pixéis.

Pouco antes de me deixares, para sempre, não me verás através janela que dá para a sala de espera, ver-me-ás no ecrã.

5 comentários:

  1. O favorito até agora, adorei! bj

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  2. Contra Hepatite B, devem ser administradas três doses, com intervalos de um mês para a segunda dose e seis meses para a terceira dose!
    Contra a ignorância este post é insuficiente!

    Reclama-se uma outra dose!


    Marilliana!

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  3. Por tempos o senhor passeava na sua avenida e reclamava ser o guia de multidão que ninguém o conhece. Senta-se no próximo banco que fica em algures entre os candeeiros e o ecrã fabricado para alienação da população, se por um lado teremos a ignorância forçado pela opressão existente quotidiana, por outro lado teremos quem pense que está completamente libertado individualmente, mas que ainda se situa e vive no mundo imaginário burguês. Os seus tiques de escárnio da consciência irrita qualquer ser sensivel ao humanismo apesar de ser a querela ínevitavel. Ao lado da folha queimada, as mãos que ainda tremem por ser o típico humano demasiado humano que se senta junto à multidão morta por não saber o que é viver.

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  4. Confesso-me entusiasmada com este blog! Ao ler este ultimo comentário só me ocorre citar um comentário que já li algures: "Vou pegar num lugar comum, vomitar palavras para encher, escrever como sempre foi escrito e achar que isso é... Vou repetir o mesmo padrão até à exaustão, até ser mandado ao chão, esvair-me em sangue, ter a cabeça esmagada, e depois disso tudo ainda vou sentir. Só aí vou morrer por fora tanto como já estou morto por dentro." - acho que se adequa plenamente às palavras do Datarcão! bj

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